
Olá amigos, sei que esse tema já foi exaustivamente tratado, porém nosso blog não estava no ar na época. Além disso, hoje tive a oportunidade de ler a edição de junho deste ano da Revista Brasileiros, que tem uma matéria de oito páginas a respeito desse assunto. Quando Daniel Veloso Hirata e José César Magalhães, mais o fotógrafo Fábio Braga, fizeram essa reportagem, o Supremo Tribunal Federal já havia decidido pela manutenção da demarcação das terras indígenas e imediata saída de todos não-indígenas da região.
"Os Dois Lados da Raposa Serra do Sol" reúne depoimentos do líder dos arrozeiros, Paulo César Quartiero, e Izabel Itikawa, uma das pioneiras na plantação de arroz no Estado de Roraima. Os relatos são de convivência pacífica com os índios, Izabel diz até que cresceu brincando com eles. A acusação é que a demarcação atende interesses de ONGs estrangeiras que, sob a bandeira de proteção ambiental, querem o controle da área para a exploração dos minérios e biodiversidade local.
Por sua vez, os índios, representados na reportagem pelo líder do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito, e por Maria, professora da escola da comunidade indígena, falam que eram praticamente escravos, culpam os brancos pela disseminação da cachaça entre os nativos e dizem que com o controle das terras demarcadas pretendem promover o desenvolvimento da agricultura e pecuária de maneira sustentável. Eles citam até o contato feito com integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) para o cultivo de arroz orgânico.
Bom isso é um breve resumo da matéria. Agora vai a minha opinião. Quando da discussão a respeito da demarcação da terra, o principal argumento dos favoráveis aos índios era o fato da necessidade da preservação da cultura indígena, e da floresta, que corria risco com a grande expansão da rizicultura em Roraima. Ok, acho válida a preocupação com a Amazônia, mas não acho que índios que saem de suas tribos para estudar em faculdades de brancos, criam associações para reclamarem seus direitos, não falam mais em suas línguas nativas e outras coisas mais, estejam realmente preocupados com a manutenção de seus costumes.
Quando Dionito diz, e aí eu repito as palavras publicadas na revista: "Nós vamos criar gado qualificado, vamos ampliar as plantações de arroz, melancia, banana, além do turismo" eu imaginei ser um dos arrozeiros falando, afinal de contas ampliar as plantações, a criação de gado e exploração da região não era o que o STF pretendia impedir os não-índios de fazer?
Como, com todas essas ações que o CIR pretende executar, os costumes indígenas serão respeitados? Porque eu realmente não me lembro de ouvir falar de tribos que plantavam e faziam criação em grande porte para a exportação, e muito menos de comunidades que recebiam turistas.
Enfim, Hirata e Magalhães conseguiram me convencer que a decisão dos excelentíssimos membros do Supremo apenas mudou de mãos as plantações em Roraima e em nada garantiu a manutenção, tanto da floresta nativa, quanto dos costumes da região. Infelizmente mais uma vez o trabalhador brasileiro foi prejudicado por leis que não respeitam o cidadão cumpridor de seus deveres. Fecho meu comentário com uma das falas de Beatriz Itikawa na reportagem: "Eu lembro que eu trazia as crianças pequenininhas para cá, elas brincavam aqui quando nem tinha escritório, era ali fora, não tinha porta, era uma lona, foi com muita dificuldade, não tinha piso, e eu acreditei, eu ainda acredito no meu País".
Eu também.
Para quem quiser ler a reportagem completa, segue o link: http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/23/textos/611/
Por Garrastazu Médici
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